LEISHMANIOSE – Marília sedia nesta semana treinamento para teste rápido da doença em cães (13/03/2012)

março 13, 2012

LEISHMANIOSE – Marília sedia nesta semana treinamento para teste rápido da doença em cães (13/03/2012)

Coordenador de Vigilância Ambiental e Controle de Zoonoses da SMS – Lupercio Lopes Garrido Neto

Marília recebe de terça a sexta-feira (de 13 a 16) o Treinamento dos Profissionais Multiplicadores para TR DPP Leishmaniose Visceral Canina – Legal pra Cachorro!. O evento – realizado no Tenda Hotel e no CVA (Centro de Vigilância Ambiental) – é uma promoção do Ministério da Saúde, Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), Bio-Manguinhos (Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos), IAL (Instituto Adolfo Lutz), CCD (Coordenadoria de Controle de Doenças) e Secretaria de Estado da Saúde.

O treinamento deve reunir cerca de 60 profissionais de todo o Estado, das cidades que já possuem transmissão da doença.

TR DPP é a sigla utilizada para Teste Rápido Dual Parth Platform (Plataforma de Duplo Compartilhamento, em tradução livre).

De acordo com o coordenador de Vigilância Ambiental e Controle de Zoonoses da SMS (Secretaria Municipal da Saúde), Lupercio Lopes Garrido Neto, o TR DPP Leishmaniose diminui a quantidade de procedimentos e oferece o resultado em cerca de 15 minutos.

A vantagem deste teste é que ele dispensa estrutura laboratorial e equipamentos, facilitando o uso no campo, oferecendo o resultado momentos depois da coleta de sangue do animal, da LVC (Leishmaniose Visceral Canina).

“Este treinamento é importante, pois a leishmaniose chegou em Marília, com o diagnostico de caso humano, registrado em outubro do ano passado, na zona Norte. Com o teste rápido de detecção rápida da doença no cão otimizará o trabalho em campo, dando mais agilidade à equipe de controle de zoonoses”, analisa.

Apesar de o caso positivo registrado no ano passado, animais que passaram por inquérito canino domiciliados próximo à casa da criança infectada tiveram seus resultados negativos ou inconclusivos.

O uso do TR DPP faz parte da mudança de protocolo observada pelo Ministério da Saúde para a LVC. Até agora, os inquéritos caninos eram realizados por meio do teste Elisa como triagem e identificação dos animais soronegativos e uma reação de imunofluorescência indireta para confirmação da doença.

Com a introdução do TR DPP, que é um exame imunocromatográfico, será utilizado para triagem, e o Elisa como exame confirmatório. Assim, o treinamento é necessário para que a mudança no protocolo seja realizada.

A DOENÇA
A leishmaniose é uma doença infecciosa, porém, não contagiosa, causada por parasitas do gênero leishmania. Há dois tipos de leishmaniose: a tegumentar ou cutânea e a LVA (Leishmaniose Visceral Americana) ou calazar.

A leishmaniose é uma zoonose, ou seja, uma doença que afeta animais e seres humanos.

O vetor, o Lutzomiya longipalpis (mosquito-palha ou birigui), transfere o parasita leishmania ao se alimentar de sangue de animais reservatórios infectados, para pessoas e animais sadios. Os principais reservatórios nas áreas silvestres são as raposas e cachorros do mato, e nas cidades, o cão doméstico.

No ser humano, o tipo cutâneo caracteriza-se pela formação de feridas na pele. Podem ocorrer lesões em mucosas. Já a LVA, forma mais severa da doença, se caracteriza por acometer vários órgãos internos, entre eles o fígado e o baço.

No cão hospedeiro do parasita, pode haver crescimento exagerado das unhas, emagrecimento, aumento do volume do abdome, lesão em torno dos olhos e nas extremidades das orelhas.

VIGILÂNCIA
A leishmaniose era uma doença restrita aos Estados do norte e nordeste do país, mas desde sua introdução em São Paulo, há 13 anos, a partir de Mato Grosso do Sul, observa-se uma expansão da área de transmissão, avançando pela região noroeste de São Paulo.

No período de 1999 até julho de 2011, foram notificados 1.845 casos de LVA no estado de São Paulo, dos quais 159 evoluíram para óbito, segundo o CVE-SP (Centro de Vigilância Epidemiológica do Estado de São Paulo).

Neste período, Araçatuba acumulou 316 casos de LVA, sendo que 31 evoluíram para óbito. Presente desde 2003 em Bauru, de lá pra cá foram registrados 354 casos, sendo que destes 33 pacientes morreram. Em Lins há oito anos, foram registrados 65 casos de LVA, sendo que 6 faleceram devido à doença

O município de Marília – antes classificado como silencioso, receptivo e vulnerável devido à sua proximidade com municípios onde ocorre transmissão – agora será classificado como município com transmissão da doença pelo Ministério da Saúde.

O município já realizou inquérito canino na zona leste e no distrito de Padre Nóbrega, locais onde foi encontrado o vetor. Dos exames realizados em cães suspeitos os resultados deram negativo e um inconclusivo, sendo que o mesmo não pode ser realizado novamente por conta do óbito do cão.

Casos importados de outras cidades já foram encontrados em Marília.



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